"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Caminhos...


Talvez religiões sejam caminhos equivocados de se chegar a Deus...
Ele é maior...
Mas...
apenas a cada um é dado escolher o próprio caminho a percorrer...
Sem análises ou julgamentos exteriores...

Esses caminhos...
São como impressões digitais...

Tibet

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Lendo...


"Dez provas da existência de Deus". São dez discursos filosóficos (Aristóteles, Cícero, Sexto Empírico, Agostinho, Anselmo, Tomás de Aquino, Descartes, Malebranche, Berkeley e Hume) acerca do citado tema. É uma seleção organizada por Plínio Junqueira Smith (Doutor em Filosofia pela USP) na qual ele reúne os principais argumentos filosóficos, a favor da existência de Deus, através dos tempos (Filosofia Antiga, Medieval e Moderna).
Comecei a ler esta semana...
Então...
Acho que essa é uma das questões-chave da minha existência...
Questão essa que tem como principal característica o fato de ser sempre uma questão... uma indagação infinita que me deixa em constante movimento.
Na verdade, durante muito tempo, acreditei que a minha verdadeira questão seria oscilar entre a crença na existência e a crença na inexistência... Hoje, depois de percorrer longos e profundos caminhos em ambas as direções, entendo melhor a minha "intuição" e sentimento sobre o assunto.
Acredito na existência.
Mas, não aceito a associação dessa existência a dogmas, verdades prontas, respostas rápidas e simplistas aos inúmeros enigmas que a Vida nos impõe. Isso tudo é o que torna a idéia pequena. Tira toda a amplitude da perspectiva de Deus como um ser supremo. Não entendo como é que conseguem pegar uma idéia tão complexa, abstrata e rica e carregá-la de pequenezas para que seja manipulada de acordo às necessidades de quem assim precisar. Pára com isso... Acho que o grande erro foi terem criado, pra Deus, as religiões. Talvez esse tenha sido o grande equívoco dessa história.
Em contrapartida, os crentes na inexistência também cometem, na minha perspectiva, o mesmo erro. Fecham questões, ao meu ver, impossíveis de serem fechadas. São questões muitíssimo enigmáticas para o estado em que nos encontramos... Pequenas feridas da existência, que nos acompanharão pelo resto da vida. Até porque... "a respeito de todos os assuntos, sempre se pode sustentar dois discursos contraditórios ou argumentar dos dois lados de uma questão com a mesma força persuasiva" (Pg 17, onde cita idéias de Protágoras).
E por que essa necessidade de resolvermos essas equações com a nossa tão limitada forma de perceber a Vida? Talvez essa trilha... essas indagações... sejam, exatamente, o que realmente precisamos para uma nossa evolução espiritual e auto-conhecimento...
"O infinito não se deixa compreender pelo finito"...
Resta-nos, então, a busca... o filosofar... o crescimento...

Tibet

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Clarice,


"... eu escrevo e assim me livro de mim e posso então descansar."
Clarice Lispector


Acabei de concluir a leitura da biografia "Clarice," de Benjamim Moser.
Muito mais que fascinada por essa "entidade" da literatura brasileira...
Aos Lispectorianos de plantão: Vocês PRECISAM ler isso!

Tibet

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Queria querer...


Eu queria querer um pouco mais...
Mas não consigo querer como se quer nesse mundo...
Isso, muitas vezes, me leva a fases de um intenso e desconcertante não querer...
E vou andando por aí... desconectada do mundo que funciona à minha volta...
E passo, eu, a funcionar, por longos dias, como uma máquina programada...
...
Queria querer como todos andam por aí... querendo...
Mas... isso acontece como um grande esforço em mim...
Sacrifício ... pra me fazer com cara de mundo...
...
Finjo querer...
Finjo sonhar que quero...
Finjo que sonho..
...
Queria um ápice de alegria...
Uma explosão de medo...
Um incômodo exacerbado de raiva...
Queria uma over-dose de adrenalina por conseguir...
... coisas "normais" de se querer...
...
Anestesia...
...
Preciso me conciliar com os meus reais "quereres"...
E me acostumar com os olhares estupefactos ao meu redor...
Ou terei que "baixar o programa" desse mundo em mim.
...
Insônia...

Tibet

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Assistam...


"As Horas", baseado no livro de mesmo nome de Michael Cunningham. O autor, inspirado no romance "Mrs Dalloway" de Virgínia Woolf, traça um interessante paralelo entre três histórias, de três mulheres, vivendo em tempo e espaço bastante distintos, mas, que, incrivelmente, se entrelaçam de alguma forma: A história da própria Virgínia (Nicole Kidman), na fase em que escrevia, envolta em suas graves crises de depressão, o citado romance; a de Laura Brown (Julianne Moore), dez anos depois, vivendo infeliz e entediada como mãe de família em uma vida monótona na qual lia o romance escrito dez anos atrás por Virgínia; e, finalmente, a de Clarissa Vaughn (Meryl Streep), que seria uma "Mrs Dalloway" dos dias atuais, insatisfeita e inquieta em mais um conturbado dia de sua vida. Além de serem histórias interessantes por si só, uma das coisas, entre tantas outras, que torna o filme/livro de Cunningham muito interessante é a forma como as três histórias/mulheres se tocam formando um todo bastante rico que conduz, inevitavelmente, a uma profunda reflexão acerca das questões que habitam e inquietam a existência de muitos de nós. Além de tudo isso, é também uma excelente oportunidade de conhecer um pouco sobre Virgínia Woolf, essa tão complexa e introspectiva escritora britânica que viveu no início do século XX e que foi de encontro às tradições literárias vigentes na época tendo, por isso, sua obra considerada como modernista. Suicidou-se em 20 de março de 1941.
Então... é isso...
Assistam!

Ah! Uma curiosidade:

Clarice sobre Virgínia Woolf:

"Não gosto quando dizem que tenho afinidade com Virgínia Woolf (só a li, aliás, depois de escrever o meu primeiro livro): é que não quero perdoar o fato de ela se ter suicidado. O horrível dever é ir até o fim."

Pois é...
Uma sempre me remete à outra...


Tibet

Lendas?


Eu: (deitada na cama à toa... Um DVD de Adriana Calcanhoto tocando na TV...)
Ele: Mãe... por que os adultos fazem assim? Inventam um monte de coisa pra gente... E depois... quando a gente cresce um pouco... eles falam que era tudo mentira? Que era só uma lenda...
Eu: Tipo o que?
Ele: Tipo assim... Papai Noel... e outras "prosas" assim... Pra que isso?!
Eu: Nem sei... Vai ver que serviu pra alguma coisa enquanto se acreditou... Sei lá... Mas acho que é besteira mesmo...
Ele: E o que mais é lenda?
Eu: Mais nada eu acho... Não me lembro de mais nada além do Papai Noel agora...
Ele: E Dona "X"? Era uma lenda?
Eu: Oxe menino! (morreeeeendo de rir!). Claro que não!!! Ela existe mesmo!!! Tá doido?! (Dona "X" é uma moradora do segundo andar. Nós moramos no terceiro, em cima da casa dela. Quando ele fazia muito barulho em casa eu dizia que Dona "X", que tava lá embaixo da gente, era super-hiper-brava e que ela iria lá em casa, tocar a campanhia e reclamar do barulho que ele andava fazendo).
Ele: Tá vendo? Assim a gente nunca vai saber direito...
Eu: (me recuperando da risada...)
Ele: E Deus?!
Eu: O que tem Deus criatura?!
Ele: E se for assim... tipo... todo mundo fala pra gente acreditar que ele existe e depois... quando a gente virar adulto a gente vai e descobre que ele não existe?! Como é que faz pra gente ter certeza logo?
Eu: Aí... (cá pensando comigo: "Ai meu Deus! Eu falo o que agora?) Essa é uma investigação que cada pessoa tem um jeito muito pessoal e particular de fazer... Acho que, na verdade, é uma investigação que pode durar por toooda a vida da pessoa... E o pior... Cada um pode chegar a várias conclusões diferentes em cada fase da sua vida...
Ele: Ai meu Deus... E agora? ... Mas você acha o que mãe?
Eu: Ham? É... (eu, normalmente, não sei dizer o que acho sobre esse tema sem elaborar um verdadeiro e confuso tratado filosófico-religioso... é uma lástima! Faço tanta confusão que, muitas vezes, sou tomada como ateísta sem o ser. Sem contar que eu não gostaria, nem um pouco, de oferecer um caminho prontinho pra ele começar a trilhar sem iniciar sua própria investigação, digamos assim! Ia falar o que? Alguém me salva?)
...
O que eu acho? É...
...
Ele: (olhando pra Adriana Calcanhoto na TV) Essa cantora é tão triste né mãe? Você acha que ela tem aquela doença? (ela me salvou!)
Eu: Que doença menino?!
Ele: Aquela que os adultos têm... que ficam muito tristes e nem sabem direito porque... Acho que é... como é mesmo o nome? "opressão" parece....
Eu: Depressão criatura! (rindo pra me acabar...)
Ele: Ah é! Isso aí... Mãe, vou descer viu? Posso tomar banho de piscina?
Eu: Vá... Mas suba na hora certa.

Tibet

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Imensidão...


Às vezes fico sem ar...
com essa imensidão da vida...
Imensidão dessa minha vida...
Possibilidades inquietas vivendo dentro de mim...
Muitas vezes...
desperto num enorme desconforto...
de despertar a alma...
e ela não caber, de volta, confortavelmente...
dentro desse meu corpo...
Um desconforto atroz de ter que...
ainda que um pouco...
... encolher a minha alma...
até fazê-la se aquietar...
e se encaixar novamente...
pra seguir por mais um dia de "mundo pequeno"...

Que eu não me perca dessa minha alma...
Elástica... e flexível... e poderosa...
Pra que, por todas as noites ela se engrandeça enormemente...
se torne imensa...
e desperte assim... bem grande
E que eu possa sempre, ao acordar
me lembrar durante todo o dia
do quão grande... enorme... imensa...
ela pode ser...

Assim como é a vida...
Como há de ser a minha...
Ainda que nesse mundo assim...
... pequeno...

Tibet